Cinco gráficos que mudarão sua opinião sobre a pobreza

Por Chelsea Follet / Publicado no Human Progress

Recentemente, o economista vencedor do Prêmio Nobel, Angus Deaton, reiterou sua convicção de que no geral o mundo está superando a pobreza – talvez não em todos os lugares ou para todos ao mesmo tempo, como ele disse. Pode ser que isso não seja nenhuma surpresa, mas o fato de que o mundo vem superando a pobreza ainda é uma constatação pouco aceita pelas pessoas.

Ao perguntar às pessoas sobre a situação da pobreza no mundo, são grandes as chances da maioria dizer que a quantidade de pobres aumentou ou que continua a mesma. Uma pesquisa divulgada no final do ano passado mostrou que 92 por cento dos americanos acreditam que a parcela da população mundial em extrema pobreza aumentou ou permaneceu igual nas últimas duas décadas.

Mas os americanos não são os únicos a acreditar nisso. Em todos os países pesquisados, 87 por cento das pessoas – um pouco menos que nos EUA – acreditam que a pobreza extrema aumentou ou permaneceu um problema sem solução.

Há uma série de explicações culturais e psicológicas para a persistência deste pessimismo. Notícias ruins geram manchetes chamativas e tendem a dominar os noticiários. Psicologicamente, as pessoas costumam idealizar o passado e recordar situações dramáticas – ou incomuns – com mais facilidade do que vivências em períodos mais estáveis. Elas também podem usar o pessimismo como forma de demonstrar virtude.

Por outro lado, dentre as pouquíssimas pessoas que percebam que a pobreza extrema diminuiu, quase todas subestimam a extensão dessa queda. A pobreza global diminuiu pela metade nos últimos 20 anos – mas apenas uma pessoa em cada 100 percebe isso.

De maneira previsível, as pessoas que vivem nas regiões com reduções mais intensas da pobreza são mais propensas a perceberem o que realmente está acontecendo. Entretanto, mesmo na China onde centenas de milhões de pessoas saíram da miséria nas últimas quatro décadas, metade da população ainda ignora a drástica redução da pobreza que aconteceu em suas vidas.

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Percentual da população que acredita que a pobreza extrema diminuiu nos últimos 20 anos – No eixo horizontal da esquerda para a direita: China, Índia, Indonésia, Alemanha, Estados Unidos.

[Fonte do gráfico: Pesquisa “Glocalities Global Poverty Survey” da empresa holandesa Motivaction]

Para auxiliar a preencher a lacuna entre as percepções das pessoas e a realidade, logo abaixo estão cinco gráficos que ilustram o progresso extraordinário que a humanidade fez.

[Os gráficos a seguir foram elaborados com as informações disponibilizadas pelo Human Progress]

Durante a maior parte da história humana a pobreza extrema foi a regra. No famoso gráfico “taco de hóquei” abaixo – sem dúvida o gráfico mais importante do mundo – fica demonstrado o que aconteceu quando o Iluminismo e a Revolução Industrial fizeram com que a renda disparasse – mudando para sempre a maneira como vivemos e, talvez até mesmo, a maneira como pensamos.

PIB mundial. No eixo vertical o valor em dólares de 1990. No eixo horizontal o ano.

Como mostra o gráfico a seguir, a humanidade produziu muito mais riqueza nos últimos dois séculos do que em todos os anteriores juntos. E essa explosão de criação de riqueza levou a uma diminuição intensa da taxa de pobreza. Em 1820, mais de 90 por cento da população mundial vivia com menos de 2 dólares por dia e mais de 80 por cento vivia com menos de 1 dólar por dia (ajustados pela inflação e pelas diferenças do poder de compra). Até 2015, menos de 10 por cento das pessoas viviam com menos de 1,9 dólares por dia – pela definição atual do Banco Mundial sobre pobreza extrema.

No eixo vertical o percentual de pessoas e no eixo horizontal o ano. Nas linhas coloridas a quantidade de dólares por dia que as pessoas viviam / vivem: na laranja menos de 1, na azul marinho menos de 2 e na azul celeste menos de 1,9.

Não só diminuiu o percentual de pessoas que vivem na pobreza, como também diminuiu o número total de pessoas que vive na pobreza – apesar do enorme crescimento demográfico. Ou seja, hoje a maioria das pessoas não vive na miséria. De 1820 a 2015, o número de pessoas em situação de pobreza extrema caiu de mais de um bilhão para 700 milhões, enquanto o número de pessoas fora da pobreza extrema aumentou de apenas 60 milhões para 6,6 bilhões.

No eixo vertical o número de pessoas e no eixo horizontal o ano. Na linha laranja as pessoas que viviam / vivem na pobreza extrema e na linha azul celeste as pessoas que não viviam / vivem fora de pobreza extrema.

Atualmente, a pobreza no mundo está em torno de 25 por cento do que era em 1990. E o gráfico abaixo, do excelente livro “Progress: 10 Reasons to Look Forward to the Future” de Johan Norberg, mostra como o declínio da pobreza extrema elevou os padrões de vida e trouxe outras melhorias materiais. Com a redução da pobreza, a mortalidade infantil, o analfabetismo e até mesmo a poluição nos países ricos também diminuíram – representam hoje menos da metade do que eram em 1990. A fome também se tornou muito mais rara.

No eixo vertical o percentual de pessoas e no eixo horizontal o ano. Nas linhas coloridas os itens: na laranja a mortalidade infantil, na azul celeste a fome, na azul marinho o analfabetismo, na verde a poluição e na rosa a pobreza.

Considerando que o progresso continue em sua trajetória atual, em 2013 o Brookings Institution estimou que a pobreza extrema (desta vez definida como vivendo com 1,25 dólar por dia – novamente ajustado pela inflação e pelas diferenças no poder de compra) afetará apenas 5 por cento da população mundial em 2030. Esse é o cenário que eles consideram mais provável ou “linha de corte”. No cenário otimista, eles previram que até 2030 a pobreza diminuirá para um nível insignificante, afetando apenas 1,4 por cento da população do planeta.

No eixo vertical o percentual de pessoas e no eixo horizontal o ano. Na linha azul a estatística até o momento e na linha laranja o cenário provável estimado ou “linha de corte”.

Os fatos e dados são inequívocos e mostram que, apesar da percepção das pessoas do contrário, a pobreza extrema diminuiu significativamente – e pode realmente acabar em breve. Então, da próxima vez que você ouvir alguém lamentar o suposto aumento da pobreza no mundo, incentive-o para que ele próprio veja as evidências do contrário.

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