As dimensões morais da liberdade e por que a bondade exige liberdade

Por Alexander Salter / Publicado no Learn Liberty

Qual é o papel da liberdade humana na moralidade? É uma pergunta que tenho ponderado e pesquisado desde a pós-graduação. Certa vez, C. S. Lewis explicou os diferentes aspectos da moralidade usando a metáfora de uma flotilha [pequena frota de navios]. Cada navio deve ser conduzido por conta própria, mas cada um deve também ter uma coordenação com os demais para evitar colisões e assim manter a formação da frota. Finalmente, o grupo precisa definir o destino, que constitui o propósito da viagem. Essa metáfora é um modo interessante de pensar sobre a moralidade em relação a si mesmo, aos outros e ao nosso propósito final.

O aspecto pessoal da moralidade – que mais adequadamente pode ser chamado de ética – é sobre o cultivo da virtude: o desenvolvimento de traços de caráter para que a escolha do bem se torne um hábito. Um navio eficiente e bem conduzido é como uma pessoa virtuosa, ambos ajustam as práticas internas necessárias para se tornar um bom exemplo de si mesmo. No entanto, há uma diferença fundamental: a tripulação de um navio é hierarquicamente comandada por um capitão. Mas uma pessoa, para ser verdadeiramente virtuosa, deve ser livre para cultivar virtudes – ou não. Não há virtude em ser prudente se você está sendo forçado a não ser imediatista. Não há virtude em ser caridoso se alguém está forçando você a entregar o que é seu. A virtude pode ser guiada por tradições culturais e instituições sociais, mas não pode ser coagida. Um homem virtuoso também deve ser um homem livre.

O aspecto interpessoal da moralidade está mais relacionado a seguir regras. Essas regras são importantes porque, assim como as normas que regem os navios de uma frota, elas ajudam a evitar a “colisão” das pessoas umas com as outras. Elas permitem vivermos em harmonia e, também, irmos além das consequências em nós mesmos e, assim, reconhecer os direitos dos outros. Nisso, a liberdade é essencial também. Quando algumas pessoas são autorizadas a dominar outras, essas são tratadas como meros meios para seus próprios fins daquelas, ao invés de fins em si mesmas. Isso, além de não respeitar a dignidade individual, também sufoca o florescimento do potencial e da criatividade humanos. Uma sociedade de dominação será uma sociedade que nunca alcançará todo o seu potencial nas ciências humanas, nas ciências naturais e nas artes. A liberdade nos permite uma maior possibilidade de seguirmos nossos caminhos e ao mesmo tempo nos permite viver de modo satisfatório em sociedade.

Por fim, há a questão do propósito final. Por que estamos aqui? Para onde estamos indo? Esse é inevitavelmente o tema mais controverso, visto que a ideia de um propósito final frequentemente está relacionado a uma compreensão religiosa da vocação do homem. Como cristão, essa é a compreensão que tenho. Mas ter um propósito final não afasta a necessidade da liberdade. A liberdade continua essencial. Parafraseando Lord Acton, a liberdade é tão preciosa que Deus não a anula, mesmo quando fazemos mal uso dessa liberdade. Em outras palavras, não podemos chegar ao nosso destino se não somos livres para andar pela estrada. Acredito que esse é um ponto que as pessoas religiosas, espirituais, agnósticas, ou mesmo os ateus, podem concordar.

Assim, a liberdade é indispensável para uma vida verdadeiramente boa em todos os níveis da moralidade. Na minha opinião, a tradição liberal [ver nota abaixo] permanece como a guardiã da chama da liberdade. Quero seguir o resto da minha carreira acadêmica desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre o liberalismo. E estou ansioso para compartilhar com você as minhas investigações.

[No artigo original o autor usa o termo Liberalismo Clássico, pois nos Estados Unidos ao longo do século XX o termo Liberalismo foi sendo cooptado pelos movimentos esquerdistas e progressistas]

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