Em um texto, tudo que você precisa saber sobre a França

Por Daniel Mitchel / Publicado no International Liberty

O que melhor simboliza a cultura política estatista da França?

Esses são bons exemplos, com certeza, mas na verdade eu já escrevi um texto “tudo-o-que-você-precisa-saber” sobre as regalias da intocável classe burocrática da França.

Mas não há nenhuma regra dizendo que eu não posso escrever vários textos “tudo-que-você-precisa-saber”.

Segue uma história que revela porque a França está em dificuldade. O Wall Street Journal noticiou que um candidato presidencial francês está argumentando que a população não deve ficar indignada que sua esposa recebeu dinheiro público como funcionária fantasma, já que boa parte desse dinheiro retornou para o governo através de altos impostos.

François Fillon (…) pediu desculpas à nação por ter empregado sua esposa e seu filho como assessores parlamentares, entretanto, rejeitou as acusações de que não trabalhavam. (…) Fillon disse que é injusto a mídia afirmar que sua esposa recebeu quase um milhão de euros ao longo de um período de 15 anos, porque depois de deduzidos os impostos sua renda média mensal foi de apenas 3.677 euros (3.964 dólares). (…) Os habituais privilégios da elite política da França foram expostos abertamente.

Então, acho que Fillon quer que a população aceite ser normal dar dinheiro público para seus familiares porque eles receberam “apenas” 48.000 dólares por ano depois de deduzidos os impostos.

Isso é repugnante. Pelo menos Fillon poderia ter desperdiçado dinheiro público com mais elegância, como o atual presidente da França, que apesar de ter pouco cabelo, gastou um monte de dinheiro com cabeleireiro.

O que torna esta história especialmente cômica é que ele (Fillon) é o candidato que esta tentando atrair os eleitores que desejam reduzir o inchado Estado francês.

Considerando que dois de seus principais adversários são Marine Le Pen, uma populista estatista, e Benoît Hamon, um socialista que defende uma renda mínima universal, talvez Fillon seja a melhor escolha para os eleitores libertários, o que demonstra o lamentável panorama da política francesa. Então, eu não sei se vou endossar um candidato, como fiz em 2012.

A desordem fiscal da França esta tão ruim que até mesmo setores do governo estão se dando conta que algumas reformas liberais são necessárias.

O imposto sobre as empresas na França está muito acima da média europeia, segundo um relatório do French Court of Auditors. Já os especialistas da EurAtciv France, em outro relatório, disseram que um corte de 33,3% para 25% deixaria as empresas em melhores condições contra a concorrência européia. O total de imposto pago pelas empresas na França vem subindo progressivamente nas últimas duas décadas. Hoje, elas pagam os percentuais mais altos da Europa. Mas este crescimento não foi bom para o país, de acordo com o mesmo relatório do French Court of Auditors. A França nem sempre teve impostos mais altos em comparação com outros países da UE. Em 1995 era mais ou menos a média europeia. Mas vem aumentado constantemente ao longo dos últimos 20 anos. Ao mesmo tempo, outros Estados-Membros da UE têm caminhado na direção oposta. A maioria dos Estados-membros reduziram o imposto sobre o faturamento das empresas ou têm planos de reduzir. O Reino Unido, por exemplo, pretende dimunir o imposto sobre as empresas para 17% até 2020. O percentual médio de imposto pago pelas empresas da UE diminuiu de 33% em 1999 para 25% em 2015.

A política fiscal suicida da França é o motivo pelo qual eu concordei com Paul Krugman em 2013 – mas não levem isso muito a sério – de que há um complô contra a França. Mas eu deixei claro que os conspiradores contra a França são os próprios políticos.

P.S.1: Na verdade, talvez a melhor maneira de você saber tudo sobre a França seja a pesquisa revelando que mais da metade da população iria para a América se tivesse condições.

P.S.2: Se não fosse a França, nunca teríamos a oportunidade de apreciar este inteligente e divertido cartum do Scott Stantis.

P.S.3: Veja também esta entrevista bastante reveladora de Will Smith sobre a tributação na França.

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