Despesa federal cresceu mais nos governos Bush e Reagan do que na era Obama

Por Ryan McMaken / Publicado no Mises Institute

Agora que 2016 se foi e o presidente Obama é coisa do passado, podemos olhar para trás para ver quanto o gasto do governo cresceu durante seu mandato. Parece que em seus oito anos de mandato, Obama nunca conseguiu superar os enormes aumentos nos gastos públicos que ocorreram sob os presidentes Reagan e George Bush. Na verdade, Obama não chegou perto.

Quando examinamos os gastos federais ocorridos sob Obama, descobrimos que ele aumentou 15,8% em relação aos 3,3 trilhões de gastos do último ano do governo Bush (ou seja, 2008) para 3,8 trilhões do último ano de seu governo em 2016.

Usando esse mesmo método, descobrimos que os gastos federais aumentaram 33,3% desde o final do governo Clinton até o fim do governo Bush.

O primeiro gráfico mostra quanto os gastos federais aumentaram durante o mandato de cada presidente desde Lyndon Johnson:

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Gráfico 1: Aumento percentual dos gastos federais durante o mandato presidencial. Fonte: US Office of Management and Budget (FRED), ajustado pela inflação usando o CPI (consumer price index) para todos os consumidores urbanos.

Lyndon Johnson é até agora o maior perdulário desde a Segunda Guerra Mundial, tendo aumentado o gasto público em 40 por cento ao longo do seu mandato e meio – uma façanha impressionantemente ruim. Johnson combinou enormes quantidades de despesas de guerra e de programas sociais que expandiram enormemente os gastos governamentais.

Depois de Johnson, os presidentes Ford, Reagan e Bush são os maiores perdulários, com Bush repetindo levemente o modelo “Guns and Butter” [ver nota abaixo] aplicado por Johnson ao combinar enormes quantidades de gastos militares com grandes gastos sociais.

[A expressão original é “Guns versus Butter” que consiste em um modelo macroeconômico de crescimento entre gastos militares ou sociais. O autor do texto fez um trocadilho trocando a palavra “versus” por “and”]

Além disso, George W. Bush expandiu os gastos governamentais em saúde através do programa Medicare D e também expandiu os gastos federais em educação acima de qualquer outro presidente, sendo considerado “o presidente da educação“. Somado a tudo isso, os gastos militares aumentaram consideravelmente durante o governo Bush.

Aliás, a maior parte desse crescimento ocorreu quando o Partido Republicano controlou tanto o Congresso como a Casa Branca, de 2001 a 2006. Durante esse período de seis anos, os gastos federais aumentaram 26%.

Com Obama, no entanto, grande parte dos gastos federais não cresceram entre 2009 e 2016. Muito do crescimento do período Obama pode ser atribuído ao grande salto na despesa federal que ocorreu na esteira da crise financeira de 2008. Destaca-se, entretanto, que os cálculos usados superestimam um pouco os gastos de Obama e subestimam os gastos de Bush. Ou seja, George W. Bush patrocinou grandes quantidades de “estímulos” federal – como o resgate aos fabricantes de automóveis – que se estendeu até orçamento de 2009. Para simplificar, no cálculo todos esses estímulos foram atribuídos ao governo Obama, visto que constam no ano fiscal de 2009 – apesar de inciados em 1º de outubro de 2008 ainda no governo Bush. No entanto, mesmo fazendo isso, o crescimento dos gastos durante o governo Obama foi de 15,8 por cento, colocando-o em quarto lugar, atrás dos mandatos de Reagan, Bush e Ford.

O segundo gráfico mostra os gastos federais em cada ano combinado com o último do mandato de cada presidente.

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Gráfico 2: Gastos federais – em milhões de dólares. Fonte: US Office of Management and Budget (FRED), ajustado pela inflação usando o CPI (consumer price index) para todos os consumidores urbanos.

Apenas observando o gráfico acima, podemos ver que há períodos óbvios de crescimento mais expressivo nos gastos federais, especialmente durante os anos do governo Reagan e George W. Bush. O crescimento é praticamente constante com apenas alguns breves períodos de quedas, incluindo 1986-1987, 1992-1993, 2006-2007 e 2011-2014.

Adiante, no gráfico abaixo vemos que a taxa média de crescimento dos gastos federais ano a ano para o mandato de Obama ficou abaixo dos governos Bush e Reagan, sendo Bush o líder com a média de 3,6 por cento. Bush está bem abaixo de Ford – que em seu curto mandato aumentou os gastos a uma média de nove por cento. E Obama, embora tenha começado seu mandato com um enorme aumento de 18 por cento em 2009, ficou com o percentual médio de dois por cento, devido às quedas que ocorreram nos anos posteriores a 2009.

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Gráfico 3: Taxa média de crescimento dos gastos federais ano a ano durante cada mandato presidencial – em percentual. Fonte: US Office of Management and Budget (FRED), ajustado pela inflação usando o CPI (consumer price index) para todos os consumidores urbanos.

Se esses históricos – especialmente dos anos do governo George W. Bush – são indícios do que pode ocorrer no futuro, devemos nos preparar para grandes aumentos dos gastos sob o governo Trump.

Afinal, Trump não deu qualquer sinal de que irá cortar gastos federais. Ele não se candidatou prometendo cortes no orçamento, ele só falou em aumentar os gastos do governo, seja com projetos de infra-estrutura, seja com enormes novos gastos em programas militares.

Trump anunciou que está planejando cortar impostos, mas isso só transferirá o peso dos gastos governamentais para os futuros contribuintes e para os detentores de dólares dos Estados Unidos através do imposto inflacionário resultante do déficit orçamentário. E, como explicou Murray Rothbard, os gastos do governo por si só são um fardo para os contribuintes, independentemente dos níveis nominais de impostos.

É claro, os gastos do governo não são a única medida para julgar uma administração presidencial ou uma legislatura do Congresso. O fardo da regulamentação governamental sobre as empresas aumentou imensamente durante os dois mandatos de Obama, fazendo com que empregos não fossem criados, empresas não abrissem e negócios não fossem feitos diante de regulamentações que destroem escolhas, oportunidades e riqueza. Além disso, os ataques do governo às liberdades civis através da guerra contra as drogas devem ser considerados, assim como a desastrosa política externa do governo Obama que gerou populações de refugiados e revigorou o radicalismo islâmico.

Se o governo Trump reduzir as regulamentações governamentais ficará mais fácil abrir um negócio e ganhar a vida, o que poderá ser ser o lado positivo do seu governo. Porém, diante da improvável redução nos gastos governamentais, se Trump também elevar tarifas como prometeu, não restará quase nada de positivo do seu governo.

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